FNP lança cursos gratuitos para preparar municípios contra o El Niño 2026/2027

A Comissão de Adaptação, Mitigação e Prevenção de Desastres (CAMP), da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), lançou um catálogo de cursos gratuitos para preparar os Municípios para enfrentar a crise climática e o potencial impacto do Super El Niño para os anos de 2026/2027.
A publicação reúne cursos e capacitações gratuitas voltadas a prefeitos, secretários municipais e equipes de Defesa Civil, num momento em que órgãos oficiais de meteorologia já confirmam o retorno do fenômeno climático e apontam risco elevado de eventos extremos no país.
O material foi apresentado durante a 1ª Reunião da CAMP, realizada na sede da FNP, em Brasília, sob o tema “Agenda Federativa para o El Niño 2026/2027”. O encontro reuniu prefeitas, prefeitos, secretários e integrantes da Defesa Civil de diferentes cidades brasileiras para debater os possíveis impactos do fenômeno sobre os municípios e alinhar estratégias conjuntas de preparação.
Qualificação para gestão local
A curadoria da CAMP organizou, num único documento, formações oferecidas por órgãos federais, instituições de ensino, organismos multilaterais e entidades especializadas em mudanças climáticas, gestão de riscos e prevenção de desastres.
A proposta é reduzir a distância entre o conhecimento técnico-científico produzido por essas instituições e a rotina dos gestores públicos municipais, muitas vezes sem estrutura própria para acompanhar as discussões mais avançadas sobre o tema.
Todos os cursos listados são gratuitos e podem ser realizados a qualquer momento, o que permite que prefeituras com equipes reduzidas ou agendas apertadas organizem a capacitação conforme sua própria disponibilidade.
O conteúdo está dividido em dois grandes eixos temáticos:
- Clima — cursos sobre Introdução à Mudança do Clima, Planejamento e Adaptação Climática, Financiamento Climático e Inteligência Artificial aplicada ao Clima;
- Desastres — formações voltadas à Gestão de Desastres e à Gestão de Riscos, com ferramentas para prevenção, preparação e resposta a eventos extremos.
A iniciativa integra uma mobilização nacional mais ampla conduzida pela FNP para preparar as cidades brasileiras diante do El Niño 2026/2027.
Segundo a própria entidade, a ação combina capacitação técnica, articulação institucional e diálogo direto com o governo federal, incluindo o encaminhamento de propostas ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para ampliar o apoio federal aos municípios — entre elas, maior participação das cidades na formulação de políticas climáticas, fortalecimento da rede de monitoramento e alerta, apoio à elaboração de planos locais de adaptação e expansão de programas de gestão de riscos.
O que os órgãos oficiais dizem
O lançamento do catálogo acontece em meio a um cenário meteorológico que reforça a urgência da preparação municipal. Segundo nota técnica conjunta divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva (Censipam), o fenômeno tem alta probabilidade — superior a 80% — de se configurar ao longo do segundo semestre de 2026, podendo se estender até, pelo menos, o início de 2027.
Boletins mais recentes, divulgados em conjunto pelo INMET, INPE, pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), apontam que os modelos climáticos indicam probabilidade acima de 90% de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027, com alta probabilidade de um El Niño muito forte, quando os desvios de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial ficam acima de 2,0°C entre a primavera e o verão de 2026.
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O mesmo boletim projeta que o trimestre julho-agosto-setembro de 2026 deve trazer chuvas acima da média em áreas da Região Sul e chuvas abaixo da média no centro-norte do país, além de temperaturas acima da média que podem intensificar ondas de calor e incêndios florestais.
“Federalismo climático”
A preocupação dos municípios não se resume à capacitação técnica. Em reunião com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, prefeitos ligados à CAMP/FNP reforçaram um conjunto de demandas por mais apoio federal.
Entre os pontos apresentados estão a participação efetiva dos municípios na formulação, no diagnóstico, na implementação e no monitoramento de políticas públicas ambientais e climáticas, a facilitação do acesso das prefeituras ao Fundo Clima e a ampliação do apoio técnico a cidades com menor capacidade institucional ou subfinanciadas.
A comitiva também defendeu o fortalecimento do chamado federalismo climático, com articulação entre os diferentes níveis de governo, maior capacidade de resposta e menos burocracia para acessar o Fundo Clima.
Do lado federal, o governo já sinalizou algumas contrapartidas: durante os encontros, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima apresentou programas em andamento, como o ArborizaCidades, o AdaptaCidades e o Cidades Verdes Resilientes, além de destacar a instalação de uma Sala de Situação, sob coordenação da Casa Civil, para acompanhar o El Niño.
Catálogo de Capacitações
Com a alta probabilidade de um El Niño forte a partir da segunda metade de 2026 — e o risco simultâneo de estiagens no Norte e Nordeste e de chuvas volumosas no Sul —, a corrida das prefeituras por capacitação técnica ganha um caráter de urgência.
O catálogo lançado pela CAMP/FNP se soma a outras iniciativas da entidade, como missões técnicas internacionais e plataformas de boas práticas municipais, na tentativa de equipar gestores locais com ferramentas concretas de planejamento, prevenção e resposta antes que os efeitos mais severos do fenômeno se façam sentir nas cidades brasileiras. Acesse o Catálogo de Capacitações AQUI.
Por: Lucas A L Brandão/Portal Convênios – Fonte: FNP



