Super El Niño exige planejamento de gestores e empresas

O fortalecimento do fenômeno El Niño deve influenciar significativamente as condições climáticas no Brasil durante o mês de agosto, ampliando os contrastes entre as diferentes regiões do país e exigindo maior atenção de empresas, gestores públicos e setores produtivos.

De acordo com a Climatempo, o aquecimento acelerado das águas do Oceano Pacífico Equatorial indica a formação de um evento com potencial de forte a muito forte intensidade, cuja influência tende a aumentar ao longo da primavera e do início do verão de 2026/2027.

Segundo Vitor Hassan, Head de Negócios da Climatempo, os impactos do fenômeno variam conforme a região do país.

“O El Niño não impacta o Brasil de forma uniforme, por isso o desafio de agosto estará no excesso de chuva, em enchentes, atrasos logísticos e danos a ativos para alguns negócios. Para outros, estará no calor persistente, na baixa umidade, no aumento do risco de queimadas e na pressão sobre produtividade, saúde ocupacional e demanda por energia. O ponto central é transformar previsão climática em planejamento operacional”, afirma.

Chuvas intensas elevam riscos no Sul

A previsão indica volumes de chuva acima da média nos três estados da Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, que já enfrentou episódios de enchentes em julho.

A expectativa é de ocorrência de temporais, rajadas de vento, granizo e grandes acumulados de precipitação.

Essas condições podem provocar impactos sobre o transporte rodoviário, armazenagem, construção civil, distribuição de energia, operações industriais, seguros e atividades da agroindústria, além de aumentar o risco de interrupções logísticas e danos à infraestrutura.

Calor e baixa umidade predominam em outras regiões

No Sudeste e no Centro-Oeste, o cenário previsto é de predominância de dias quentes e secos, com índices de umidade relativa do ar inferiores a 20% em algumas localidades.

Ainda assim, a passagem de frentes frias no início e no final do mês poderá provocar chuvas isoladas em áreas de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Triângulo Mineiro, Sul de Minas, Zona da Mata, Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo.

No Nordeste, a tendência é de tempo seco no interior, enquanto as chuvas devem se concentrar na faixa litorânea entre o sul da Bahia e o Rio Grande do Norte.

Já na Região Norte, a previsão indica volumes de chuva acima da média em parte do Pará, Rondônia e Acre, enquanto o norte do Amazonas e Roraima poderão registrar precipitações inferiores ao esperado para o período.

Agronegócio e logística serão mais afetados

O agronegócio aparece entre os segmentos mais expostos aos efeitos do El Niño. O excesso de chuvas no Sul pode comprometer operações de plantio, colheita, armazenamento e transporte da produção agrícola. Em outras regiões, o calor e a baixa umidade aumentam a necessidade de irrigação e de monitoramento das condições das lavouras.

Na logística e na infraestrutura, temporais e frentes frias podem afetar rodovias, portos, aeroportos, centros de distribuição, obras e cronogramas de entrega, levando empresas a revisar rotas, estoques e planos de contingência.

Na Região Norte, a possibilidade de estiagem também preocupa devido à redução do nível dos rios amazônicos. Como parte importante do transporte de cargas depende da navegação fluvial, eventuais restrições podem elevar custos logísticos, aumentar os prazos de entrega e comprometer o abastecimento de comunidades e atividades econômicas.

Consumo de energia pode aumentar

As temperaturas elevadas previstas para diversas regiões tendem a ampliar a demanda por energia elétrica destinada à climatização de ambientes.


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Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos podem interferir na operação de reservatórios, na geração hidrelétrica e na manutenção das redes de transmissão e distribuição.

Além disso, setores como comércio, indústria e serviços podem sentir os efeitos das altas temperaturas sobre o comportamento do consumidor, a produtividade das equipes, a manutenção das instalações e as ações voltadas à saúde e segurança do trabalho.

Eventos extremos ampliam riscos econômicos

A maior frequência de eventos climáticos extremos também influencia a avaliação de riscos financeiros. Instituições de crédito, seguradoras e empresas com operações ligadas ao campo, infraestrutura e cadeias de suprimentos tendem a reforçar o monitoramento das condições meteorológicas para reduzir perdas e melhorar o gerenciamento de riscos.

Para Vitor Hassan, os impactos do fenômeno vão além das condições climáticas.

“Mais do que um fenômeno climático, o El Niño é um fator de risco econômico e operacional. Em agosto, seus efeitos já começam a aparecer de forma mais clara no Brasil, exigindo das organizações uma leitura regionalizada do clima e respostas rápidas para um ambiente de negócios cada vez mais exposto a extremos meteorológicos”, conclui.

A Climatempo recomenda que empresas e gestores públicos acompanhem regularmente as atualizações da previsão do tempo, considerando fatores como chuva, temperatura, umidade, ventos, descargas elétricas, queimadas e condições de navegabilidade.

Segundo a consultoria, a incorporação de informações meteorológicas ao planejamento operacional pode contribuir para proteger pessoas, reduzir prejuízos e aumentar a resiliência das operações em momentos de catástrofes climáticas.

Por: Thais Correa/Portal Convênios – Fonte: Climatempo

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