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Lula Veta R$ 400 Mi em Emendas e Remaneja R$ 7 Bi no Orçamento de 2026

Brasília — A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de vetar cerca de R$ 400 milhões em emendas parlamentares e remanejar aproximadamente R$ 7 bilhões do Orçamento de 2026 explicita um movimento estratégico do Executivo para recuperar margem de manobra sobre a política fiscal e limitar a crescente influência do Legislativo sobre a alocação de recursos públicos.

O embate ocorre após o Congresso Nacional alterar substancialmente a proposta orçamentária enviada pelo governo, direcionando bilhões de reais para emendas parlamentares e impondo cortes a programas sociais e despesas consideradas estruturantes pelo Planalto.

Para o Executivo, a recomposição dessas áreas tornou-se necessária não apenas por razões políticas, mas também para preservar a coerência da execução orçamentária.

Do ponto de vista técnico, o veto presidencial foi sustentado na avaliação de que parte das emendas aprovadas viola regras que limitam o cancelamento de despesas discricionárias do Executivo para a criação de gastos com destinação específica. O governo argumenta que esse tipo de manobra fragiliza o planejamento fiscal e amplia a rigidez do Orçamento, dificultando a adaptação a mudanças econômicas ao longo do ano.

Remanejamento de recursos

Mais relevante que o veto em si foi a opção pelo remanejamento de recursos com base em dispositivos já previstos na Lei Orçamentária Anual, que autorizam o Executivo a realocar até uma fração das despesas discricionárias sem necessidade de nova deliberação legislativa.


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Ao lançar mão desse mecanismo, o governo reduziu o risco político de ter seus vetos derrubados e, ao mesmo tempo, preservou instrumentos legais para recompor áreas afetadas pelos cortes. Na prática, a disputa revela um conflito estrutural sobre o papel das emendas parlamentares no orçamento brasileiro.

Nos últimos anos, o crescimento desse instrumento transformou deputados e senadores em atores centrais da execução orçamentária, muitas vezes em detrimento de uma visão integrada de políticas públicas. Para o Planalto, o excesso de emendas fragmenta recursos, compromete programas nacionais e dificulta o cumprimento de metas fiscais.

Reação ao movimento do Executivo

Por outro lado, o Congresso sustenta que as emendas representam uma forma legítima de descentralização do gasto e de atendimento às demandas regionais, sobretudo em ano eleitoral.



A reação ao movimento do Executivo tende a ocorrer tanto no discurso político quanto na possibilidade de derrubada de vetos, o que mantém a instabilidade na relação entre os Poderes.

Mesmo após os vetos e remanejamentos, parte dos recursos permanece bloqueada, condicionada a negociações futuras entre governo e parlamentares. Isso indica que o conflito está longe de resolvido e deve se prolongar ao longo da execução do Orçamento, funcionando como mais um teste para a capacidade do governo de conciliar governabilidade política com controle fiscal.

Mais do que um episódio pontual, a reação do Planalto sinaliza uma tentativa de redefinir limites no jogo orçamentário, em um cenário no qual o equilíbrio entre Executivo e Legislativo segue sendo um dos principais desafios da governança fiscal no país.

Por: Lucas A L Brandão/Portal Convênios.

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