Emendas parlamentares inflacionam cachês e prefeituras cancelam Carnaval no Nordeste

Carnaval no Nordeste, cachês de artistas, emendas parlamentares e cancelamento de festas públicas estão no centro de um debate que marca o início de 2026. Diversas prefeituras nordestinas anunciaram o cancelamento ou a redução das festividades carnavalescas alegando falta de recursos para custear os altos valores cobrados por atrações musicais, que teriam sido inflacionados pelo uso recorrente de emendas parlamentares.

Prefeitos de cidades do interior e de regiões metropolitanas relatam que os cachês de artistas para o Carnaval 2026 atingiram patamares incompatíveis com a realidade financeira dos municípios. Segundo gestores, a expectativa de pagamento por meio de emendas parlamentares criou distorções no mercado de shows, elevando preços e dificultando negociações diretas com as administrações locais.

“Os valores pedidos hoje só fecham a conta quando há emenda envolvida. Sem isso, o município simplesmente não consegue arcar”, afirmou Joacy Alves Junior, presidente da Aprece (Associação dos Municípios do Ceará).

Emendas parlamentares

A utilização de emendas parlamentares para financiar festas públicas passou a ser alvo de críticas. Prefeituras apontam que, em alguns casos, a liberação dos recursos estaria condicionada à contratação de artistas ou produtoras específicas, prática que, segundo especialistas, compromete a autonomia do gestor e contribui para a inflação dos cachês.

Órgãos de controle, como tribunais de contas estaduais, já sinalizaram maior rigor na fiscalização dos gastos com eventos de Carnaval pagos com dinheiro público, especialmente em municípios que enfrentam dificuldades fiscais.

Impacto na economia local

O cancelamento do Carnaval em cidades do Nordeste provoca efeitos diretos na economia local. Comerciantes, ambulantes, trabalhadores do turismo e da cultura relatam queda na renda e prejuízos com a ausência de visitantes.

Apesar disso, prefeitos argumentam que a decisão é necessária para preservar o equilíbrio das contas públicas e garantir investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação.



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Em resposta, algumas cidades optaram por programações alternativas, priorizando artistas locais, blocos tradicionais e eventos de menor custo, como forma de manter a celebração cultural sem comprometer o orçamento.

Debate sobre regras e limites para gastos públicos

A crise do Carnaval 2026 no Nordeste reacendeu o debate sobre a necessidade de estabelecer limites para cachês artísticos pagos com recursos públicos e regras mais claras para o uso de emendas parlamentares em eventos festivos. Especialistas defendem maior transparência e planejamento para evitar cancelamentos futuros e garantir a sustentabilidade das festas populares.

Enquanto não há consenso, o cenário expõe um desafio estrutural: equilibrar a importância cultural e econômica do Carnaval com a responsabilidade fiscal dos municípios, em um contexto de custos crescentes e forte dependência de recursos externos.

Por: Thais Correa/Portal Convênios

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