FGV: Emendas ampliam votos nos municípios, mas não blindam mandato
Pesquisa aponta maior influência eleitoral das emendas parlamentares em cidades com até 5 mil habitantes, mas mostra que o volume de recursos não garante a reeleição de deputados federais.
As emendas parlamentares têm maior influência eleitoral nos municípios brasileiros de pequeno porte, mas não garantem a reeleição dos deputados federais. A conclusão é de um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), que analisou a distribuição dos recursos públicos e os resultados das eleições de 2022 e 2026.
Segundo a pesquisa, nas cidades com até 5 mil habitantes, o crescimento da participação dos parlamentares na votação associado às emendas foi de 1,3 ponto percentual. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, o ganho ficou em apenas 0,2 ponto percentual.
Para os pesquisadores, o impacto é mais expressivo nas pequenas cidades, onde os recursos federais podem representar investimentos relevantes e os eleitores conseguem identificar com maior facilidade os parlamentares responsáveis pelas indicações.
Deputados concentram emendas onde já possuem votos
O levantamento analisou mais de 142 mil combinações entre deputados e municípios, considerando emendas pagas entre 2024 e 2026 e dados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em 2026, os deputados receberam, em média, 6,7% dos votos nas cidades beneficiadas por suas emendas, contra 1% nos municípios que não receberam recursos.
Entretanto, a FGV constatou que essa vantagem já existia antes das transferências. Nas eleições de 2022, os mesmos parlamentares haviam conquistado 5,9% dos votos nas localidades posteriormente contempladas.
Após considerar o desempenho eleitoral anterior, o ganho associado às emendas foi estimado em apenas 0,7 ponto percentual, indicando que os parlamentares tendem a direcionar recursos para municípios onde já possuem bases eleitorais consolidadas.
Emendas Pix apresentam maior influência eleitoral
As chamadas emendas Pix, transferências especiais realizadas diretamente aos estados e municípios, apresentaram associação com um crescimento de aproximadamente 1 ponto percentual na votação dos deputados. Nas demais modalidades de emendas individuais, o ganho foi de 0,7 ponto percentual.
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Outra análise da FGV identificou que municípios administrados por prefeitos do mesmo partido dos deputados possuem probabilidade entre 1,8 e 2,4 vezes maior de receber emendas desses parlamentares.
Quando contemplados, os repasses também apresentam valores médios 17% superiores. Os resultados mostram a importância das alianças políticas na distribuição dos recursos federais, embora não comprovem uma relação direta de causa e efeito entre as transferências e o desempenho nas urnas.
Mais recursos não garantem reeleição
Apesar da influência sobre a votação municipal, a FGV não encontrou evidências de que deputados que destinam mais recursos tenham maiores chances de permanecer no Congresso Nacional.
A pesquisa avaliou 409 parlamentares que disputaram a reeleição em 2026. Divididos em cinco grupos conforme o volume de emendas pagas, apresentaram taxas de reeleição de 71%, 67%, 75%, 71% e 78%, respectivamente. No total, 72% dos deputados que tentaram renovar seus mandatos conseguiram se reeleger, percentual próximo ao registrado em 2002 e inferior aos resultados de 2010 e 2014.
Segundo a FGV, o histórico eleitoral dos candidatos demonstrou maior influência sobre a reeleição do que o volume de emendas destinadas aos municípios.
Para as prefeituras, os resultados consolidam a importância das emendas como instrumento de financiamento de investimentos locais, especialmente nos municípios menores que possuem menor capacidade de arrecadação.

A principal conclusão da FGV é que as emendas podem ampliar a votação dos deputados em determinados municípios, mas não são suficientes, isoladamente, para garantir sua reeleição.
Por: Lucas A L Brandão/Portal Convênios – Fonte: FGV — estudos da série Voto a Voto em parceria com a Folha de S.Paulo.



